Virtudes

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Já reparou que conhecemos pouco nossas Virtudes e Defeitos?

A falta de consciência de nossos defeitos nos faz agir de forma compulsiva criando apenas problemas.

A falta de consciência de nossas qualidades nos limita, não deixando que encontremos as soluções dos problemas que nos afligem, mantendo-nos presos ao sofrimento.

O sofrimento é a consequência da manifestação dos defeitos da personalidade humana.

A felicidade é o resultado da manifestação das virtudes do SER humano.

Bem-aventurado é aquele que expressa as suas virtudes e qualidades espontaneamente, sem super ou subestimar os seus semelhantes.

 

Vamos refletir sobre as Virtudes?

 

Definimos as Virtudes como sendo um conjunto de qualidades naturais e positivas do SER. E as qualidades são as características e atributos das virtudes.

Para praticarmos virtudes, precisamos estar conscientes do que sejam as virtudes, conscientes de quais defeitos nos impedem de colocá-las em prática, conscientes de quais defeitos estão por trás de nossas limitações.

Devemos refletir sobre o que nos impede de expressarmos as virtudes de forma permanente.

Com certeza, a causa principal é o medo de sermos desprezados e ridicularizados, medo de sermos considerados fracos, tolos. Estamos muito preocupados em sermos aceitos, reconhecidos, considerados, e tudo isso passou a ser mais importante do que expressar virtudes.

É justamente das virtudes que nascem as delícias interiores, os estados de paz, tranquilidade e serenidade. Quando o sábio se recolhe com suas donzelas, há felicidade, contentamento e satisfação. O sábio se refugia e encontra regozijo na prática das virtudes.

Se mentimos, é porque somos mentirosos; se sentimos medo, é porque somos medrosos; se sentimos raiva, é porque somos raivosos; se sentimos inveja, é porque somos invejosos; e se consumimos com gula, é porque somos gulosos.

Porém, se falamos a verdade, é porque somos sinceros; se agimos com coragem, é porque somos corajosos; se agimos com simpatia, é porque somos simpáticos; se agimos com compaixão, é porque somos compassivos; e se vivemos agradecendo, é porque somos gratos.

É uma questão de ser, uma questão de nível de ser, de escolher entre o que queremos ser, o que queremos expressar a cada instante e a cada momento.

Assim, percebemos que a expressão das virtudes exige de nós o desenvolvimento da aceitação e da equanimidade, que são virtudes em si mesmas. Veja que isso é um comportamento, porém, não é falso ou fingido, é algo consciente. A questão da equanimidade é a questão de não criar condições, é a questão de ser incondicionalmente.

E tudo o que é manifesto, tudo que está vivo mantém-se sujeito às leis da Natureza, que são um conjunto de normas que regem a existência das coisas e a sucessão da criação.

As chamadas Leis da Natureza definem as regras na existência e possibilitam a evolução de cada indivíduo e do todo. Assim como nascemos sem qualquer conhecimento da lei da gravidade, por exemplo, e temos que descobrir como ela opera para que possamos viver melhor, as Leis da Natureza podem ser conhecidas pela observação e pela experiência e devem ser compreendidas por cada ser vivente como o melhor caminho para a evolução.

Chamamos de Leis Superiores ou Virtudes aquelas que têm um alto padrão vibratório, como o amor, a compaixão, a verdade, a sabedoria, a justiça, a prosperidade, o poder, a paciência, a persistência, a bondade e outras. De forma análoga, chamamos de Leis Inferiores ou Egóicas àquelas que têm um baixo padrão vibratório, como a tristeza, as emoções ruins, o egoísmo, a vaidade, o orgulho.

Ao falarmos de natureza humana, podemos caracterizar um indivíduo pelo seu conjunto de valores e normas éticas pelas quais rege suas ações. Veremos, adiante, que a natureza individual humana é sempre formada pela influência. Por exemplo, devemos esperar que um indivíduo de natureza ignorante agisse de forma ignorante ou que outro de natureza bondosa agisse de forma bondosa. Seria ingenuidade esperar de um indivíduo o que ele não tem para oferecer.

Já para os animais, podemos nos referir às naturezas como formadas pelo que seus instintos os levam a fazer. Afinal, seus instintos formam cada conjunto de “valores e normas” da lei animal. Espera-se, por exemplo, que um leão aja impiedosamente contra um humano quando está faminto, pois esta é a sua natureza instintiva: caçar para comer.

A ignorância das virtudes engloba outros tipos de procedimentos, como a preguiça, o sono excessivo, a inércia, a estupidez, o julgamento, o desrespeito e outros.

As paixões levam ao movimento pelos desejos delas oriundos. Isto origina os vícios, as fortes emoções, os apegos (como os ciúmes), a raiva, a ira, a necessidade da posse e outros. O movimento gerado pelos desejos não é harmônico, pois a nossa manifestação é dual e oferece, então, prazeres e dores: para cada prazer, teremos uma dor para nos ensinar que não precisamos de prazeres supérfluos para viver plenamente, pois todo apego distancia o indivíduo da evolução, fazendo-o “correr em círculos”.

Uma natureza essencial leva ao movimento harmônico, que conduz naturalmente à evolução. Envolve a bondade, o amor e todas as Virtudes (Leis Superiores). Pouco movimento harmônico pode produzir muito mais do que muito movimento desarmônico, portanto toda ação essencial traz benefícios perenes, mas uma ação ignorante só traz benefícios efêmeros, além da dor.

As virtudes seguem as Leis da Vida, como o amor, a compaixão, a verdade, a justiça, a prosperidade, a sabedoria e outras tantas.

Em nossa cultura é difícil encontrar pessoas que vivem plenamente estas leis superiores. Geralmente o amor é condicional a regras ou confunde-se com a paixão e o sexo; para ser dita, a verdade depende de quem vai ouvi-la; a compaixão é confundida com a pena; a sabedoria é um atributo reservado a filósofos e doutores; a prosperidade é confundida com a capacidade de acumular riquezas; e assim por diante.

Pense sobre o modo como você vê a vida, sobre as suas ações, e veja se as virtudes se encaixam no seu dia a dia atual.

 

A dor

 

O sofrimento não é um “bicho de sete cabeças” ou a mão pesada de Deus sobre os pecadores; ele traz lições de vida para que possamos crescer, evoluir. Os bons e “maus” momentos gerados pela ação da ignorância permitem-nos reflexões sobre os direcionamentos de nossas vidas, possibilitando que vivamos com mais harmonia com as leis superiores.

Inúmeras são as oportunidades que a vida nos oferece para aprender sobre o caminho; porém, como a evolução é inevitável, o aprendizado virá ou pela compreensão (fruto da observação e da consciência) ou pela dor (consequência de nossa desatenção).

Medite sobre cada etapa de sua vida, cada fato marcante, bom ou “ruim”, e tente retirar deles as lições de vida necessárias ao seu crescimento. Diante do desconhecido, tememos que as mudanças trazidas por nosso inevitável crescimento tirem de nós o pouco de estabilidade que conseguimos com muito esforço – as nossas “verdades”. Entretanto, quando finalmente resolvemos crescer e nos entregamos a uma nova etapa de vida que esteja de acordo com as virtudes, mesmo sem saber o que nos espera, percebemos que esta seria realmente a coisa certa a ser feita.

 

O Amor

 

O amor verdadeiro não prevê condições ou regras. Expandir o amor a todos os seres viventes – não apenas a meia dúzia de pessoas – é perceber que todos somos um só.

No relacionamento, querer ver feliz a pessoa que se ama – pura e simplesmente pelo amor –, implica em nunca desejá-la somente para si, como um objeto de posse. Inclusive, a posse é mais prejudicial para quem a tem do que para quem a sofre, pois não passa de uma prisão no medo de perder a qualquer momento a “posse”; ela é um apego, nada mais.

 

O Perdão

 

Perdoar é uma maravilhosa libertação da prisão imposta por si próprio. Ao julgar um ato e repreendê-lo, nós nos ligamos emocionalmente tanto ao fato quanto à pessoa que o pratica. A cada lembrança, traz-se de volta a emoção ruim decorrente do acontecido.

Devemos usar a lei da sabedoria para nos libertar de todos os desnecessários laços emocionais. Devemos nos lembrar de que cada pessoa está fazendo exatamente aquilo que está ao alcance dela naquele estado evolutivo, ou seja, o que a natureza dela consegue fazer. Culpar uma pessoa por um erro seria como culpar uma criança por molhar as fraudas – ela ainda não entende isto como “errado” e não adiantaria tentar explicar.

 

O Apego

Nós nos apegamos àquilo que possuímos porque temos medo de perder; nos apegamos àquilo que desejamos ter porque há o medo de que não o consigamos. Desapegar-se é libertar-se do medo. Nós viemos nus à vida e não vamos levar nada material ou emocional conosco. Tudo nesta vida é apenas um empréstimo. Se alguém tem medo de perder algo é porque não se julga merecedor de tê-lo.

O grande problema é o esquecimento, o deixar-se cair na entropia, o deixar que a vida continue da mesma forma que sempre foi. Às vezes, falta-nos força para manter a gratidão, a serenidade, a sinceridade, o altruísmo, a bondade, a paciência e a tolerância. Parece que preferimos a dor e o sofrimento, os estados equivocados da mente e do coração. Dizemos que não podemos expressar nossas virtudes porque isso ou aquilo está ocorrendo. Não nos permitimos expressar as virtudes, e ao invés de fazermos isso e mantermo-nos a estados benéficos, queremos lutar contra os defeitos e estados equivocados.

Gastamos muita energia tentando evitar o sofrimento, a dor, os estados equivocados da mente e do coração, os erros, equívocos, enganos, os defeitos e as manifestações de nossos egos; ou seja, gastamos mais tempo e energia para tentar evitar todas estas coisas do que para desenvolver e sustentar virtudes.

Nós não percebermos que sofremos e nem por que de sofrermos, não percebemos que os nossos defeitos nos fazem sofrer e que as virtudes e sua expressão nos traz paz, tranquilidade, felicidade, contentamento, satisfação e regozijo.

Exemplo: quando nos irritamos com um insulto, enrijecemos músculos, criamos tensões, nervosismo, agredimos nosso organismo, podemos ficar violentos, vingativos, descontrolados, agitados, ansiosos, temerosos e desesperados. Novamente vemos um bom número de defeitos que nos causam dor e sofrimento. Contudo, se ficamos serenos perante o insultador, podemos sentir compaixão e empatia, que são aspectos do amor e nos elevam os estados internos.

Há pessoas que não buscam alguma elevação de SER. Acreditam que podem viver e ser verdadeiramente felizes sem nenhuma necessidade de introspecção, mudança pessoal, autocontrole ou disciplina.

A utilização inteligente da introspecção pode nos ajudar a perceber as nossas próprias virtudes, por mais que estejam meio escondidas ou atrofiadas. E ao percebermos nossas virtudes ou as virtudes dos outros precisamos trabalhar para desenvolvê-las. Assim, precisamos observar e analisar as virtudes das pessoas que nos cercam, pois da mesma maneira que vemos defeitos nos outros os temos de monte, e as virtudes que vemos nos outros também as temos.

A prática das virtudes não exige um tempo reservado. É na vida comum, no dia a dia, de momento a momento que podemos e devemos praticar as virtudes. A tentativa de reavivar essas virtudes, a vontade de praticá-las e de expressá-las faz com que elas penetrem em nós e pouco a pouco se tornem parte da nossa constituição, cristalizando-se em nós.

As virtudes se vivem no agora, no momento presente. Não podemos esperar que venhamos a nos tornar santos ou perfeitos para começarmos a expressar virtudes.

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