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7. Personalidade

 

7. Personalidade e autoconhecimento

 

No íntimo, origina-se a busca. Nosso mundo interior é o ambiente natural e perfeito para, através de nossa consciência, encontrarmos novos caminhos para trilharmos em perfeita sintonia com nosso Ser interno.

Para nos conhecermos melhor é preciso estudar e compreender a formação psicológica que nos constrói ao longo do tempo.

Ao nascermos, somos ainda flexíveis e, portanto, ficamos expostos às informações através das quais o meio nos influencia, como acréscimo ao que trazemos de herança genética e da hereditariedade.

Tudo o que aprendemos (pelo que vemos, ouvimos e sentimos) vai se armazenando em nós; estes são os agentes mais importantes na criação de uma pessoa.

 

. Agentes da construção da personalidade

 

A personalidade vai se constituindo ao longo das nossas vidas; trata-se de um processo dinâmico que sofre a interferência permanente de diversos fatores, dentre os quais destacamos três momentos marcantes:

a) a influência da hereditariedade [fator biológico];

b) do meio ambiente [fator social]; e

c) da experiência pessoal [fatores individuais] ;

Essas três fases têm uma grande importância na construção do que somos. No entanto, a influência destes fatores poderá ocorrer de maneira diferente em cada indivíduo e também nos diferentes ciclos da vida.

Então, a personalidade se torna uma expressão viva das informações biopsicossociais que moldam o indivíduo.

 

a. Origem hereditária

Hereditariamente, o patrimônio genético do ser humano define-se por sua singularidade fisiológica e morfológica. A hereditariedade humana transmite traços específicos não só de natureza física, como também de temperamento e de dons intelectuais.

Isso explica aquelas crianças que, ainda prematuras, demonstram tendências de ansiedade e agressividade  ou  tranquilidade e quietude herdados de seus pais.

 

b. Origem social

Desde o núcleo familiar até o meio social em que vivemos, passamos por um processo de adaptação contínua que se manifesta como resultado do fluxo de nossa convivência com outras pessoas, o que gera consequências em nosso corpo e nossa psique (constituição psicossomática).

 

c. Origem individual

Por vivermos em uma sociedade capitalista voltada apenas para o poder financeiro e o crescimento material, tornamo-nos indivíduos com uma personalidade limitada, apesar de inteligente, cheia de anseios egoístas e paixões frágeis, o que nos leva a cometer erros de avaliação crítica e nos viciar no sofrimento como parte incurável de nossas vidas.

 

O controle social de nossas ações

 

Absorvemos, porém, características positivas e negativas que precisam ser examinadas, pois foram criadas sob o jugo de uma sociedade que determina cruelmente como devemos ser, ou seja, a sociedade nos educa impondo valores para que sejamos facilmente controlados, pouco criativos e nos restringindo a descobrir apenas o que a mídia determina e espalha.

Quando a sua personalidade sofre os efeitos de uma manipulação social, você é obrigado a se comportar de uma determinada maneira, para que seja aceito por esta sociedade.

 

. Um só modelo para todos?

Você tem que se vestir, caminhar, aparentar, rir de certa maneira para que não se sinta desajustado. Mas nada disso é você de verdade, simplesmente é o reflexo daquilo que os outros pensam que você deve ser.

Dentro dos estereótipos sociais sempre existe um modelo ideal de conduta ou aparência, com o intuito de nos automatizar. Ao nos compararmos com o modelo ideal imposto pela sociedade, passamos a nos sentir sempre insatisfeitos com a gente mesmo, perdendo nossa originalidade e nos afastando de nosso verdadeiro Ser.

Adquirimos diferentes máscaras que representam os diferentes personagens que assumimos.

A consequência desta desarmonia psicossocial é a quantidade de remédios paliativos produzidos por nossa indústria farmacêutica, e o elevado contingente de pessoas que procura planos de saúde e hospitais públicos.

 

. A saúde começa dentro de nós

É impossível interpretar a conduta de um indivíduo sem associá-lo ao meio social em que ele vive e que exige deste indivíduo as suas solicitações e determinações.

A “cultura” define-se precisamente como um conjunto de normas, de valores, de modelos de comportamento, que traduzem o “modo de vida” de um grupo. Assim acontece a massificação da personalidade individual do ser humano.

 

. Primeira fase de socialização

Na infância, a complexidade das relações familiares vai influenciar o desenvolvimento futuro da criança. Com a tendência moderna de desestabilização do casamento as crianças crescem procurando um referencial de pai ou um referencial de mãe fora do antigo núcleo familiar, fora de si mesmas e abraçando símbolos estranhos à sua natureza, o que inconscientemente desenvolve conflitos graves em sua personalidade.

 

. Segunda fase de socialização

A adolescência é uma fase importante para um indivíduo no processo de construção da sua identidade pessoal, psicossocial e sexual. Esta fase é atravessada por certa confusão, nublando a visão do individuo que sofre interferência de todo tipo através da mídia, sobrecarregando-se de informações descartáveis sem um aprofundamento do verdadeiro sentido da vida.

 

Natureza e sociedade

 

Precisamos estudar e nos dedicar a uma análise profunda e detalhada do sujeito para alcançar conhecimentos credíveis acerca da sua personalidade.  É devido ao desenrolar das situações vivenciadas de maneira opressiva que se estimula a formação de uma identidade e sua capacidade de optar conscientemente pelo comportamento mais adequado.

Essa pluralidade de aspectos influencia a formação de nossa personalidade gerando vários desequilíbrios interiores, que precisamos identificar para saber o que realmente é do nosso real ser e o que nos foi imposto sem direito a um livre arbítrio.

De certa forma, a maioria dos desequilíbrios internos, que manifestamos hoje em nossa personalidade, não nasceram conosco, pois foram absorvidos e desenvolvidos no meio em que crescemos. As questões genéticas e hereditárias, então, têm uma participação mínima na origem desse processo.

Por isso, não sabemos exatamente quem somos. E aqui cabe uma pergunta essencial: o que existia em nós antes de desenvolvermos esses desequilíbrios? Reflita…

Esta é uma das principais razões para a busca do real ser.

 

. Em busca de si mesmo

O sistema econômico no qual vivemos não está interessado no fato de você ser um conhecedor de si mesmo, ter uma educação elevada ou uma conduta social ética, por isso vivemos sobre a pressão de diversos condicionamentos simplesmente para nos ajustar a um padrão social que limita a nossa busca de autoconhecimento.

Está na hora de você entrar em sintonia consigo mesmo, entrar em harmonia com seu eu real e com o mundo onde vive.

Enxergar a vida, não da forma como nos ensinaram e sim de como ela realmente é.

Devemos nos manter abertos para uma nova realidade que nos colocará diante de nós mesmos como filhos da natureza, herdeiros de uma consciência crítica evoluída e em permanente contato com tudo de bom que temos dentro de nós.

Referência

FADIMAN, James; FRANGER, Robert.  Teorias da personalidade. Trad. Camila Pedral Sampaio; Sybil Safdie. São Paulo: HARBRA ltda, 1986.
Hall, C.S & Lindzey G.  Teorias da personalidade. São Paulo: EPU, 1973.
Klein, M. Contribuições à psicanálise. São Paulo: Mestre Jou,  1981.
PERLS, F.S.; HEFFERLINE, R.F.; GOODMAN, Paul, 1951.  Gestalt Therapy.  New York: Dell.
CLONINGER, Susan C. Teorias da Personalidade. São Paulo: Martins Fontes, 1999. Pg. 53-63.

 


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