Materialismo

A vida moderna trouxe necessidades além das naturais, fabricadas pelo consumismo, que exigem esforços sobre-humanos para a absorção de conhecimento, emoções e bens. O ser humano, entregue aos ditos da mídia, inseriu em sua cultura a “máxima” de que somente há felicidade pelo sucesso financeiro. Para realizar-se através de efêmeras emoções daí oriundas, passou a desrespeitar os ciclos naturais de seu corpo e mente, esquecendo-se, por vezes, de que ele não é uma complicada máquina de fazer dinheiro, mas um ser em um corpo de inúmeras possibilidades, sempre pronto a experimentar a aventura humana.
Quando em estresse, nosso corpo e nossa mente podem apresentar sintomas que variam de uma dor de cabeça a uma doença dita incurável pela ciência. O desrespeito aos nossos próprios limites, muitas vezes por imposições sociais, financeiras e culturais, empurra-nos à beira de colapsos. O acúmulo de consequências destes desrespeitos vai formando em nosso corpo e em nossa mente algo como uma “crosta” de transtornos, que nos impede de enxergar as saídas, as curas e, deste modo, a vida vai ficando “difícil”, pesada. Somos como uma peneira que acumula sujeira em cima de sujeira e, com o tempo, mal deixa passar a água.
Hoje dependemos de remédios e descobertas científicas que se contradizem de tempos em tempos. São eleitos amigos da saúde os alimentos e remédios da moda. As indústrias ditam o que devemos comer, o que devemos pensar, como devemos agir socialmente e como nos prevenirmos de doenças. Assim que um novo produto é lançado, o produto mais velho é sacrificado publicamente e vira o “vilão” da saúde ou o “fora da moda”.
O vazio tornou-se um inimigo do qual fugimos com temor por não sabermos como lidar com nós mesmos. Afinal… onde está o manual de instruções? Nosso manual de instruções está dentro de nós mesmos. Dento do materialismo, você tem que ter o mesmo corpo que os modelos, pensar como os formadores de opinião e assim aos poucos vai deixando de ser você mesmo.
Pelo medo do vazio interior ou de encararmos nossas próprias vidas, tentamos fugir da realidade pela procura da satisfação de nossos desejos através das emoções. Desejos que são criados superficialmente pela sociedade de consumo. O objetivo do sistema é criar meios de aguçar desejos sem sentidos para que as pessoas fiquem fascinadas e apaixonadas por aquilo que elas não precisam; Dessa forma, desvalorizam o que está em seu interior, a essência da vida, para tentar satisfazer os desejos de sua fascinação. Entretanto, as emoções são efêmeras: surgem, arrebatam-nos rapidamente e desaparecem no ar, deixando-nos novamente o vazio. Buscar preencher a vida dependendo de comprar produtos descartáveis e supervalorizá-los para tornar a vida plena, feliz, é autosabotagem. Precisamos cultivar os sentimentos, que são duradouros, verdadeiros e consequentes.
Se a vida reduzisse só que nos impõe o meio social aqueles que alcançassem esta meta seriam os serem mais felizes do universo.
Mas pense bem: quantas pessoas você conheceu que seguiram estes conceitos socialmente aceitos e terminaram suas vidas completamente felizes?
Criamos uma sociedade autodestrutiva, porém podemos utilizar do sistema somente aquilo que pode ser útil para despertar a consciência.
A sociedade nos oferece muitos recursos que não necessariamente precisariamos ficar presos a um padrão de vida e cabe nós utilizarmos nossa consciência para fazermos nossas escolhas.
É preciso compreender de que muito do que temos e desejamos na realidade não são tão importantes como imaginamos, simplesmente é um “eu” (transtorno da personalidade – que absorvemos no meio social) nos fazendo acreditar ser necessário. Não há porque desesperar-se para conseguir as coisas materiais sem antes estarmos de bem com nós mesmos, pois mesmo tendo tudo o que o sistema oferece, nossos “eu’s” nos fariam sentir miseráveis.
O autoconhecimento é apenas um caminho, como tantos outros, para você avaliar suas necessidades das superficialidades, para que possamos transcender as ilusões do sistema; para que descubramos o quanto mais há além de nossos opacos instintos de satisfação imediata; para que vivamos além de qualquer prazer, ou seja, felizes, plenos.
Observe-se numa realidade onde não há fórmulas mágicas para a felicidade ou para as curas de doenças. Há um caminho que deve ser trilhado com paciência e persistência; com simplicidade e a adoção de hábitos mais saudáveis para o corpo e para a mente. Sem a dedicação de cada um – pois ninguém pode percorrer o caminho por você – não haverá sucesso. Vence sempre a perseverança – regada a muita paciência – e a mudança dos paradigmas do dia a dia. O aprendizado é constante, mas o caminho leva a experiências sublimes.
Seja qual for o caminho que você escolher para descobrir a sua essência, fixado ao materialismo ou não, tenha em mente que, sempre há uma oportunidade de trilhar um caminho sem dor ou sofrimentos e que esta oportunidade dependerá somente de você!.




