Condicionamentos

Compreender o homem em sua totalidade é uma tarefa complexa e necessita de desprendimento dos conceitos rígidos, confortáveis e de fácil aceitação.

Não é possível compreender o ser, sem reconstruir toda a história da personalidade seguindo o processo de sua formação. O subconsciente é um armazenamento de todas as experiências vividas de forma individual e específica de cada ser, cuja somatória constitui sua sabedoria inata.

A maior de todas as prisões humanas, nunca foi construída com materiais perecíveis, como tijolo, areia, cimento, madeira e ferro. Não tem ao seu dispor, nenhum esquema sofisticado de vigilância externa, mas as suas celas vivem abarrotadas de presos que deliberadamente se impõem penas que, na maioria das vezes, duram toda uma existência. Penas perpétuas, em regime de reclusão conflitante, choques, revoltas, guerras e desequilíbrios.

A prisão voluntária, tão comum aos seres humanos, nasce no fluxo incessante de nossos pensamentos, vontades, crenças, mascaras, emoções, palavras, hábitos e atos e atende pelo nome de CONDICIONAMENTO.

Condicionamento, que nos faz perder o senso de liberdade, a bem-aventurança, a paz interior, a visão de totalidade, que cria e nutre padrões rígidos, que é a gênese de todas as divisões, disputas, conflitos, inquisições, guerras e anátemas.

Condicionamento é que cria as autoridades, os doutores, os ídolos, os gurus, os seguidores, que inadvertidamente exaltam os seus “mestres”, fechando-se em “verdades absolutas” em ciclos intermináveis de dependência, lutas e frustrações.

Condicionamento que nos leva à imitação, ao viver da memória e das repetições vazias de conceitos e revelações menores sem que as possíveis realidades que mencionamos sejam conquistas experienciadas no silêncio pródigo, fecundo e criativo de nossa vida interior.

Condicionamento que nos faz nacionalistas, moralistas, cientistas, filósofos, teólogos, feministas, machistas, fanáticos, materialistas, em busca permanente de certezas absolutas, supremacia, conquista de prosélitos e condenação daqueles que teimam em seguir outros caminhos, outras vertentes, contrários aos nossos passos e verdades, nossas crenças e certezas.

Condicionamento que condena o passado, as mudanças do presente e busca impedir o fluxo de transformação incessante do futuro, que tenta a todo custo, calar a voz da natureza, quando ela se distancia de nossos enunciados e teorias.

Condicionamento que faz o novo tornar-se velho, a descoberta um enfado, o luminoso uma rotina escravizante, a vida uma coleção de dores, a dor uma violência, e a violência um modo de ser e de construir uma sociedade.

Condicionamento que chama de educação, padrões de contenção, de religião um conjunto de ritos, interpretações e disciplinas, de razão, toda e qualquer negação, de filosofia, a moda do momento, e de ciência, os conceitos estreitos aceitos pela ortodoxia dominante.

Condicionamento que nos condiciona até quando dele falamos ou tentamos romper as suas amarras. Conhecer essa realidade, não nos faz livres, não obstante, pode despertar em nós a ânsia de integração, de unidade, que nos leve à redescoberta da nossa totalidade, que nos conecte novamente ao centro imperecível de nós mesmos. Nesse desiderato, quem sabe, não venhamos a perceber que todo o conhecimento que retemos é extremamente relativo e distorcido, mas que pode ser usado como um diminuto anzol que agarre a verdade infinita e inominável que existe além de nossas próprias muralhas. A partir desse pequeno passo, rasgando a ponta do véu que nos enceguece, talvez venha a surgir em nós à chama da transformação, que nos leve a abrir as celas onde nos acostumamos a viver, rompendo as grades e algemas que nos condicionam.

Por trás da neblina de nossas aparentes divisões existe um tecido de unidade, que o pensamento humano derivou em um labirinto, onde os pontos de aproximação, semelhança e contato foram substituídos pela aparente divisão e o eterno imperialismo de afirmação egóica, de superioridade e primazia de um conhecimento em detrimento de outro.

Estudar e buscar conhecer a totalidade de nossa estrutura psíquica, por nós mesmos, é a pedra angular dos objetivos mais nobres.

Queremos nos libertar da mente e de seus mecanismos. Porém, não a liberamos. Ao contrário, prendemo-la, criamos pressões e tensões dentro dela, não relaxamos. Deixamos a mente se agarrar às coisas. Não só permitimos que ela se agite, como até incentivamos e alimentamos suas agitações. Nós torturamos a mente.

É preciso observar os pensamentos que passam pela nossa mente. Mas também é preciso sentir a mente e observá-la. Observemos a expressão aqui utilizada: “sentir a mente”.

Lutamos contra a mente ao invés de relaxá-la. Esta luta é uma evitação de seus fatores, de seus estados, das formações mentais. Todas as formações são impermanentes, transitórias. Todas as formações se dissolvem. Assim, não há por que agarrar-se a elas, nem  tampouco repudiá-las. Assim como surgem, se vão desde que não nos agarremos a elas.

Somos nós que condicionamos, fortalecemos, enrijecemos as formações da mente, os conceitos, os padrões, os valores.

2 Responses to Condicionamentos

  1. martha says:

    A busca por sabedoria, evolução e conhecimento acaba sempre levando o homem em um determinado momento ao centro de tudo: seu próprio eu. Conseqüentemente, inicia-se uma busca por um tipo de conhecimento que a compreensão, pode trazer luz e direção à nossa vida. Trata-se do autoconhecimento; ou seja: o conhecimento de si mesmo. A partir do momento em que o homem desperta para a necessidade dessa b…usca interior, inicia-se uma verdadeira jornada rumo à evolução do seu ser. O resultado disso se traduz em uma melhoria significativa em sua vida como um todo. Melhora-se a auto-estima e tende-se valorizar a vida. Isso, no entanto, pode ser prejudicado se o caminho escolhido é limitado por algum tipo de condicionamento radical que tira a liberdade de escolha do individuo. Por isso, que o primeiro passo para um despertar de uma consciência de si mesmo mais evoluída e livre , consiste em uma busca assídua por conhecimento, através do estudo da experiência humana em todos os tempos sem se deixar levar pelos preconceitos.martha.

  2. marthaprudencio@hotmail.com says:

    a infinita inteligencia do noso subconsciente nao tem limites;devemos sempre confiar em nosso poder.

    um determinado momento ao centro de tudo;SEU proprio EU.
    A busca por sabedoria, evolução e conhecimento acaba sempre levando o homem em um determinado momento ao centro de tudo:seu próprio EU.inicia-se uma busca por um tipo de conhecimento que domínio e compreensão, pode trazer luz e direção à nossa vida;O CONHECER A SI MESMO.A partir do momento em que o homem desperta para a necessidade dessa busca interior, inicia-se uma verdadeira jornada em sentido rumo à evolução do seu SER,isso pode ser prejudicado se o caminho escolhido é limitado por algum tipo de condicionamento.

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