8. Arquétipos (eus)

O comportamento surge como produto da simbiose entre as variações da situação (que inclui o comportamento dos outros) e as variáveis da pessoa (biopsicossocial).
A personalidade não é inata e nem apenas é determinada só pelo meio, mas sim fruto das interações entre os diferentes fatores e variáveis.
Cada detalhe do que absorvemos do meio externo é chamado de um “eu”, são características de identidades de outras pessoas agregadas a nós.
Essas características, estes “eus”, vão formando arquétipos que são estruturas de expressão e desenvolvimento da psique.
Embora todos os arquétipos possam ser considerados como sistemas dinâmicos autônomos, alguns deles evoluíram tão profundamente no decorrer da experiência humana que se pode dizer que são como sistemas separados na personalidade. É como se existisse diversas pessoas dentro da gente.
O “eu” de cada um forma-se através do seu desenvolvimento e de várias alterações de comportamentos consoante às idades. Tendo influência no futuro, em consequências de conflitos do passado.
Tudo o que pensamos e sentimos refletirá em nosso aparelho psíquico. Se repetirmos diversas vezes um mesmo pensamento ou uma mesma emoção, reforçaremos uma estrutura do padrão vibratório do que foi pensado, seja ele alto (bom) ou baixo (ruim). Estas são as formas-pensamento, ou seja, as formas moldadas com o pensamento.
Estes arquétipos (formas-pensamento que utilizam-se de nossa própria inteligência) podem nos induzir a continuar incorrendo nos pensamentos ou emoções que os originaram, como forma de manutenção de suas existências.
Os vícios fortes (álcool, drogas, cigarro), por exemplo, têm seus arquétipos característicos que tornam a vida do indivíduo “insuportável” sem a manutenção do prazer oriundo do vício.
Criamos fortes arquétipos que levam-nos a buscar a saciedade de cada desejo, portanto o melhor caminho para extingui-lo é remover o que reforça ele. Para algumas pessoas, basta a conscientização para parar, seja imediatamente ou aos poucos; mas para a maioria, não.
Para acabar com um arquétipo ou com uma forma-pensamento, algum “eu” da personalidade basta não “alimentá-los”, ou seja, impedir que se manifestem os pensamentos e emoções ou atitudes que os originaram. Assim começa o estudo das causas e dos efeitos.
Mas existem também pessoas com força de vontade suficiente para acabar com seus arquétipos de forma menos brusca, reduzindo a incidência de um vício até que o desejo desapareça por completo. O melhor método é uma escolha pessoal.
A maioria de nós possuem transtornos na personalidade, é o resultado dos acúmulos de sofrimentos, decepções e todo tipo de problemas que acontece em nossa volta. É quase impossível não desenvolvermos transtornos, pois nascemos num lugar que proporciona esse efeito, o que podemos fazer é evitar a multiplicação desses desequilíbrios.
Quanto mais se repete uma cena ou situação na vida, de origem positiva ou negativa, fica gravado em nosso subconsciente, que acumulados de formas desequilibrada, se transformam em defeitos psicológicos, arquétipos, formas pensamentos, são como vícios que adquirimos, limitando a consciência de atuar.
Agimos a maior parte do tempo, com esses arquétipos e por não termos o conhecimento deles permitimos que nos controlem sufocando assim o nosso Ser.
Cada detalhe que manifestamos de um arquétipo é chamado de um “eu”, que pela diversidade de sua manifestação podemos chamar de “eus ”, são pensamentos, sentimentos e hábitos repetitivos, que manifestam involuntariamente do nosso subconsciente, degenerando e causando sofrimento a nós e aos que estão é nossa volta.
Podemos ver a mente como um campo de batalha entre os “eus” e a Consciência, usando o pensamento como principal veículo de sua expressão.
Entra aí os conflitos ente o ID o EGO e o SUPEREGO.
Os pensamentos que cruzam a nossa mente são como descargas de energia; A consciência é a fonte dessa energia. Ao economizar a energia da Consciência sentimo-nos mais próximo do nosso estado natural.
Agora é preciso conhecer os “eus” destes arquétipos que roubam a energia vital de nossa Consciência.
Os “eus”…
Estes “eus” começam a manifestar em nossos pensamentos, depois em nossas emoções e em seguida nos fará agir de acordo com o grau de intensidade e do desenvolvimento do “eu”.
Ex: Em uma família, com pais de personalidade superprotetora, uma criança nasce. Na intenção de educar, esses pais, sem a Consciência, criam limitações e repressões à criança, acreditando que a manterá segura.
Frases do tipo: “Você não pode fazer isso!”. – “Você faz tudo de errado!”. – “Você não sabe nada!”.
Quanto mais essas frases se repetem, junto com as expressões contidas nelas, a criança começa a absorver aí os primeiros “eus”. Neste caso criam se os “eus” do medo, “eus” da baixa auto-estima, “eus” da inferioridade e quando maior, ao tomar uma decisão, estes “eus” posicionaram em sua mente e não a deixará agir com Consciência.
Nas horas de decisão, poderão sair pensamentos do tipo: “EU sou incapaz de fazer isso!” (Eu da inferioridade). – “EU faço tudo errado!” (Eu do medo) – “EU nunca sei de nada!” (Eu da baixa auto-estima).
Neste mesmo exemplo o individuo, pode desenvolver “eus” opostos como: “eus” rebeldes, “eus” agressivos, “eus” violentos, sendo uma forma de reagir à repressão.
Isso não quer dizer que é só por causa da família que a pessoa absorveu estes “eus” como efeito na personalidade, as outras situações da vida, escola trabalho, amigos etc., poderá alimentá-los ou criar novos ‘’”eus”’’ a partir destes.
Por isso não podemos limitar a causa principal da criação de um “eu”. O autoconhecimento é fundamental para essa identificação.
Na situação a cima, foi uma pequena amostra de como em segundos, podemos criar grandes complexos por toda uma vida.
Existem outros “eus” que precisamos identificar em nós, suas causas, seus comportamentos, seus efeitos, para erradicá-los deixando nossa essência se expressar.
Adquirimos muitos “eus” em todos os níveis, “eus” como ansiedade, preocupação, stress, discriminação, rancor, raiva, crítica, fofoca, inveja, arrogância, mentira, egoísmo, culpa, orgulho, depressão etc.. Fazem parte do nosso cotidiano a cada instante e por se repetirem tantas vezes acreditamos que é normal ou que não os possuímos.
Muitas vezes, vemos, nos outros os defeitos (“eus”) que nos são próprios, temos como exemplo as pessoas que tem o “eu” infiel e vivem desconfiadas do seu companheiro (a), por verem nele, o reflexo de seu “eu”; ou, a pessoa que tem o “eu” da fofoca e vive pensando que os outros estão falando mal dela.
Alimentamos todos esses “eus”, quando gastamos nossa energia em discussões e conversas vazias, crenças sem justificativas, pensamentos voltados para o passado e o futuro, cultivando o apego a emoções dolorosas.
Os “eus” são estados alterados em nossa personalidade, emoções, que se tornaram nocivas ao nosso ser, desenvolvidas de acordo com os transtornos vivenciados nos ambientes e situações da existência.
Uma pessoa que passa a maior parte do tempo desanimada, confundida, depressiva ou com vícios está sobre a influência de um ”eu” (transtorno da personalidade) que possui causas e precisa descobrir-se.
Um mundo, onde as pessoas vivem em guerras, destruições, desigualdades, miséria e desarmonia, estão completamente afastadas do Real Ser, sofrendo os efeitos de suas atitudes.
Cada vez que alimentamos os “eus”, adormecemos a Consciência, deixamos de manifestar as virtudes que são de origem da essência, podemos ver que a ansiedade apaga a tranqüilidade, o medo a coragem, a preguiça não permite a força de vontade, a inveja apaga o altruísmo e assim nos tornamos seres vazios e egocêntricos.
Cada “eu” que você desenvolveu apagará uma qualidade de sua essência.





Penso que essa poesia de drummond de andrade,se lida com ATENÇAO; podemos ter nela uma ótima oportunidade de nos ajudar.Boa leitura e,estudo!martha.
“”
Reverência ao destino
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer “oi” ou “como vai?”
Difícil é dizer “adeus”, principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas…
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.”"
drummond de andrade.